Cidade formará médicos para ajudar o atendimento nos hospitais

Mesmo sem contar com uma faculdade de Medicina, até 2009 Piracicaba deve começar a formar novos médicos ao atuar diretamente na denominada residência médica.Arrojada, a proposta, que deve mudar a história da Saúde na cidade, deve unir a Santa Casa e o Hospital dos Fornecedores de Cana, que trabalham com o Sistema Único de Saúde (SUS), além da Prefeitura e do Ministério da Educação. Além de atrair gente nova – a alegação dos médicos é de que, sem uma universidade, não há como iniciar a carreira no município -, a união de forças tem tudo para beneficiar pacientes, incrementar os plantões, facilitar a gestão do poder público e desafogar a quantidade de residentes que superlotam as faculdades-escola em outros municípios. Só haverá vantagens. Instituições que mantêm cursos de Medicina em campi espalhados pelo Estado ou no País, teriam, em Piracicaba, um braço de suas atividades. Para a cidade, viriam professores, técnicos, entre outros profissionais, especialmente para garantir a residência médica, explica o secretário municipal de Saúde, Fernando Cárdenas, durante entrevista exclusiva à Gazeta.

O próprio titular da pasta frisa que Campinas (SP), por exemplo, paga menos aos seus médicos num comparativo com Piracicaba, mas, ao dispor de uma faculdade, sai na frente e ganha notoriedade. “Ribeirão Preto (SP) paga igual e conta com centros de excelência em Medicina”, reitera. As primeiras conversas sobre o assunto começaram semana passada e já ganharam corpo. No mesmo dia em que se reuniu com Cárdenas e o provedor da Santa Casa, João Orlando Pavão, o prefeito Barjas Negri (PSDB) telefonou para o secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, e obteve o sinal verde para a iniciativa.

Faltaria o aval do Ministério da Educação, que supervisiona todos os cursos superiores no Brasil, para que o martelo fosse batido de vez. Por enquanto, não há um número específico de residentes que poderiam ser formados em Piracicaba, mas, na opinião do administrador da Santa Casa, não há como pensar em menos de cinco especialidades. “Seria vital a residência para ortopedistas, pediatras, clínicos gerais, ginecologistas e otorrinolaringologistas. É o mínimo”, salienta Pavão, que embarca nesta sexta-feira (30) para Brasília, especialmente para verificar o que pode ser feito para que as residências comecem em Piracicaba. O provedor se mostra otimista. “Gostaria de terminar minha atuação à frente da Santa Casa, em março do ano que vem, já com a novidade implantada”, diz.

Urgente

Fernando Cárdenas pondera que um dos principais gargalos em se tratando de Saúde, em Piracicaba, é a falta de novos ortopedistas. “Precisamos de novos profissionais especialmente nesse segmento”, argumenta, sem, contudo, apresentar o número considerado ideal para suprir a demanda.

Apesar de integrar a parceria, a Prefeitura não entraria com recursos. “Já pagamos pelos procedimentos hospitalares. São R$ 20 milhões por ano”, afirma. Novas quantias, ressalta, seriam contabilizadas ao escopo do projeto. Ainda assim, o poder público pretende apoiar a iniciativa no que for necessário, avisa Cárdenas. “Piracicaba é uma cidade atrativa demais para não contar com mais médicos. É preciso movimentar isso”, garante.

Para o provedor do Hospital Fornecedores de Cana, José Coral, presidente da Associação dos Fornecedores de Cana, no passado houve uma articulação com a Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) em relação à residência médica. Com o passar do tempo, o assunto esfriou. “Amanhã (hoje, 27), tenho um encontro com o prefeito e pretendo tratar sobre este tema. Gostaria que tudo começasse já, pra ontem. É algo importantíssimo para a cidade”, ressalta.

Fonte: Gazeta de Piracicaba